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Município de Alijó comemorou 25 de Abril
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- Município de Alijó comemorou 25 de Abril
O Município de Alijó relembrou o 25 de Abril numa sessão solene que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Município.
As comemorações começaram com o hino nacional. Ao mesmo tempo, o Presidente da Assembleia Municipal e o Presidente da Câmara Municipal içavam as bandeiras nacional e do município.
Seguiu-se uma sessão solene no Salão Nobre dos Paços do Município, onde discursaram os representantes dos partidos com assento na Assembleia Municipal, Sr. António José Costa Lousa, António Joaquim Fernandes, o vereador em representação do Executivo não permanente, Dr. Miguel Rodrigues, o Sr. Presidente da Assembleia Municipal, Eng.º João Manuel Gouveia da Costa e o Sr. Presidente da Câmara Municipal. Dr. Artur Cascarejo.
Seguem os discursos proferidos ao longo da sessão:
Discurso do representante da bancada do Partido Social Democrata
Sr. António José da Costa Lousa
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia
Exmo. Senhor Presidente da Câmara
Exmos. Senhores Vereadores
Exmos. Deputados Municipais
Minhas Senhoras e meus Senhores
Caros Munícipes.
“Celebrar Abril”
Estamos aqui hoje para comemorar o dia 25 de Abril de 1974, feito histórico de um povo, em consequência da saturação de 48 anos de um poder totalitário e arrogante.
Falar de Abril é falar de Liberdade, de Democracia e de Direitos de todos os cidadãos e cidadãs.
Mas, falar de Abril, também é falar de responsabilidade, sobretudo daqueles que estiveram e estão à frente dos destinos desta grande Nação, e muito particular dos nossos Autarcas.
Sendo este ano, um ano em que se realizarão eleições para as Autarquias Locais, e sendo este o último 25 de Abril antes deste ato eleitoral, não poderia deixar de realçar o papel de todas as mulheres e homens que por motivos da limitação de mandatos, ou por outros motivos, deixarão de exercer os cargos para que foram eleitos. A todos o nosso muito obrigado.
Mas falar do 25 de Abril de 1974 é falar de um dos seus principais pilares, a Democracia.
Mas ao falar de democracia é não ter a tendência de se cair em estados autoritários de grande durabilidade.
Em Democracia é importante que haja uma alternância, para revigorar ideias, mentalidades, pensamentos e para que não se caia na prepotência, na arrogância, no autoritarismo, e no clientelismo partidário.
O melhor exemplo do 25 de Abril de 1974 é que em Democracia, não pode valer tudo!
Não se podem sobrepor os interesses pessoais aos interesses coletivos, nem nunca perder de vista que o mais nobre da política é servir os outros e não a si próprio.
Discurso do representante da bancada do Partido Socialista
Sr. António Joaquim Fernandes
Exmo. Senhor Presidente/Assembleia Municipal,
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal,
Senhoras e Senhores Membros desta Assembleia,
Senhoras /Senhores Presidentes Junta/Freguesia,
Senhoras e Senhores Presidentes das Associações: Humanitárias, Culturais, Recreativas, Desportivas e de Solidariedade do Concelho/Alijó.
Minhas Senhoras e meus senhores.
Muito bom dia…
Caros concidadãos, é bom ver e sentir, que os valores da liberdade, fraternidade, igualdade e esperança, defendidos há 39 anos, continuam bem presentes no concelho de Alijó e em Portugal.
O 25 de Abril de 1974 devolveu-nos a dignidade, a alegria e o orgulho de ser cidadão português.
É com satisfação que, enquanto cidadão, e representante desta Assembleia, cumprimento os demais partidos políticos e líderes das outras bancas.
É, enquanto homem com responsabilidades Autárquicas, Recreativas, Solidárias e da madrugada do 25 de Abril de 1974, que me sinto orgulhoso por saber que sou povo e vivo numa sociedade em liberdade.
Portugal chegou a uma nova encruzilhada da sua história e, como em todas as outras, terá de ser o povo a encontrar em si a vontade e a energia para tomar decisões, encontrar soluções e percorrer novos caminhos.
A crise em que vivemos, tem causas internas e externas, que comprometem perigosamente o regime democrático e tiram crédito à justiça social.
A captura do Estado por interesses particulares, a falta de moral da vida pública, a sujeição colaborante do poder político aos diretórios da finança nacional e internacional, a ausência de uma estratégia nacional integrada com a dos outros países e povos colocados em situações idênticas, conduziram à situação de grave crise em que nos encontramos.
O empobrecimento generalizado, a saída, cada vez maior, de jovens com elevada preparação académica, o alargamento do fosso entre a minoria dos muito ricos e a massa cada vez maior dos muito pobres, o galopante desemprego de dramáticas proporções, a corrupção, a ineficácia da aplicação da justiça, o desrespeito pela história e pela cultura que nos distinguem há oito séculos, situações estas, que não param de piorar, com o anunciado agravamento do assalto fiscal e da brutal austeridade para 2013 e 2014, concorrem decisivamente, para a atual subalternidade do País.
Hoje, Portugal é um “protetorado”.
Tudo isto, só foi possível porque os valores de Abril que inspiram a Constituição da república não vêm sendo cumpridos. Só a não observância e a não prossecução das normas constitucionais nos trouxeram a esta situação de perda de soberania. Por isso, se exige, mais do que nunca, uma resposta do povo.
É urgente e indispensável que os portugueses recuperem o seu poder soberano enquanto cidadãos, que se reúnam à volta dos valores sociais e políticos que foram e são a referência do 25 de Abril: liberdade, democracia participada, justiça social, paz e soberania nacional no quadro de uma União Europeia caracterizada pela igualdade e a solidariedade entre as nações.
Os valores de Abril terão de ser, ainda mais uma vez, a bandeira à volta da qual se juntem os portugueses decididos a lutar por um Portugal livre, democrático e justo.
As comemorações do próximo 25 de Abril, que culminaram em 2014, com a celebração do 40.º aniversário da data libertadora, deverão constituir um pólo agregador e dinamizador para a organização e o desenvolvimento das ações indispensáveis para a reconstrução de Portugal.
Temos de ser capazes de reconstruir o nosso futuro, com base nos sonhos acalentados pela esmagadora maioria dos nossos concidadãos!
Continuamos a acreditar que o 25 de Abril encerra um enorme potencial de valores e ideias motivadores e que é fonte de inspiração, de criatividade e de mobilização para a maioria dos cidadãos portugueses.
Encorajem-se manifestações culturais e desfiles populares em todos os locais onde os cidadãos livremente se organizem, que reforcem o processo social, cultural e patriótico de resistência ao colaboracionismo, com momentos culminantes nos 39.º e 40.º Aniversários do 25 de Abril. Julgamos que com esta iniciativa podemos contribuir eficazmente para que as próximas comemorações do 25 de Abril constituam a afirmação do valor e capacidade dos portugueses e da confiança dos cidadãos em si próprios.
Esperamos e confiamos que todos se empenhem, de alma e coração nestas tarefas – que reputamos de urgentes – de preservar a identidade e a coesão nacionais e de voltar a colocar Portugal como país soberano na (Imprensa e órgãos de informação) europeu e mundial.
José Afonso dizia:.. o que faz falta… é, animar a malta.
Eu termino a dizer: …O que faz falta….
É, VENCER O MEDO, REAFIRMAR A ESPERANÇA DE ABRIL, CONSTRUIR PORTUGAL E UM FUTURO MAIS PROSPERO, MAIS JUSTO E MAIS SOLIDÁRIO.
Viva o 25 de Abril…
Viva Portugal…
Discurso do vereador em representação do Executivo não permanente
Dr. Miguel Rodrigues
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia
Exmo. Senhor Presidente da Câmara
Exmos. Senhores Vereadores
Exmos. Deputados Municipais
Minhas Senhoras e meus Senhores
Este dia em que se assinala o 39.º aniversário do 25 de Abril de 1974, com a devida solenidade no nosso município, deve ser por todos nós aproveitado para uma reflexão sobre o estado do nosso país, da nossa realidade.
O momento difícil que Portugal atravessa aconselha a que nesta data tão significativa para o povo português, não prescindamos de analisar a nossa situação, à luz dos valores de Abril, plasmados na Constituição da República Portuguesa.
A CRP – a Lei Fundamental do nosso País – afirma logo no seu início a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e assume Portugal como uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
É assim tempo de questionarmos se no presente, neste ano de 2013, os valores de Abril, plasmados na nossa Lei Fundamental, têm sido respeitados.
É indiscutível que o Portugal de hoje, apresenta uma realidade diferente da existente há algumas décadas atrás. Mas não é menos verdade, que subsistem factores de constrangimento, problemas estruturais e desequilíbrios, que se têm vindo, aliás, a acentuar.
Um país afundado numa imensa dívida, que ninguém percebe muito bem como foi criada. Mas percebendo-se ou não a sua origem, todos nós somos chamados a pagá-la, nem que para isso tenhamos de enfrentar um aperto fiscal sem precedentes, que asfixia as famílias e as empresas, condenando o país a uma agonizante recessão económica e ao consequente agravamento do desemprego para níveis inaceitáveis, com todos os dramas sociais daí decorrentes.
Jovens altamente qualificados que não encontram a colocação no mercado de trabalho que ambicionavam e para a qual se prepararam. Uma população em idade activa que se vê confrontada com um empobrecimento compulsivo, impedida de planear o seu futuro e dos seus filhos, enfrentando precariedade no trabalho e incerteza, sem esperança em melhores dias.
Idosos que contribuíram durante toda uma vida de trabalho e que vêem agora uma parte das suas pensões confiscada. Pensões para as quais contribuíram e às quais conquistaram o direito.
Uma autêntica tempestade fiscal, que não poupa mesmo os desempregados, nem aqueles que estão doentes.
E depois, ao mesmo tempo que se impõem mais deveres aos cidadãos, forçados a pagar impostos até ao limite do absurdo, pretende-se encolher o Estado que esses mesmos impostos deveriam custear. Paga-se mais, para ter menos. Mais deveres, mas menos direitos.
Em paralelo ao brutal aumento de impostos, somos confrontados com o discurso da necessidade de “reformar” o Estado. Mas essa reforma, não é reforma nenhuma. É apenas um eufemismo, para não referir corte cego nas despesas do Estado. E de que despesas? Não são as despesas do Estado consigo próprio, na redução dos boys, pessoal político, institutos sem fim nem utilidade, instituições redundantes, mordomias e interesses dos que parasitam o Estado. Nessas despesas, os cortes são sempre simbólicos. Não, os cortes afetam, uma vez mais, a população, aquele povo cuja vontade deveria vincular o País, nos termos da Constituição, mas que é sempre ignorada por aqueles que governam com insensibilidade social e desconhecimento da realidade.
São os cortes nos serviços de saúde prestados às populações, nos serviços de educação, na assistência social aos mais vulneráveis da nossa sociedade. No ataque aos funcionários públicos.
Ao mesmo tempo que se privam as populações de serviços públicos essenciais, mantêm-se 230 deputados na Assembleia da República, uma boa parte dos quais são meras figuras decorativas.
Ao mesmo tempo que se pretendem extinguir Juntas de Freguesias, atacando as autarquias que mais próximas estão das pessoas, o Governo dispõe de um secretário de Estado adjunto, do Ministro adjunto…
Ao mesmo tempo que se impõem cortes gigantescos nas receitas dos Municípios, como se pretende efetuar com a nova Lei das Finanças Locais, parece existir impunidade perante escândalos financeiros que custaram ao Estado milhares de milhões de euros.
Ao mesmo tempo que se aplicam portagens nas auto-estradas que a generalidade da população não consegue pagar, mantêm-se as elevadas margens de lucro daqueles que negociaram parcerias público-privadas ruinosas para o Estado.
Acentuam-se os desequilíbrios no território nacional, com a preocupante desertificação do interior, fomentada por decisões políticas que desprezam as nossas populações.
A sociedade livre, justa e solidária proclamada pela nossa Constituição está comprometida. Uma sociedade não é inteiramente livre perante um Estado que se assume como um opressor fiscal, nem com um empobrecimento forçado e radical. Não há verdadeira liberdade sem pão na mesa. Não é justa, se se acentuam as desigualdades. Não é solidária, quando se olha para os apoios sociais como uma espécie de inimigo a abater.
É necessário então fazer-se um exame de consciência. Repensar estratégias. Inverter rumos. Olhar para as pessoas. Para a tal “vontade popular”. As pessoas que querem trabalhar, pagar impostos justos, contribuir para a riqueza do país, ter oportunidades, ajudar o país a evoluir. As pessoas que querem viver com bem estar, porque a isso têm direito e estão dispostas a trabalhar para isso. As pessoas que querem ser felizes. As pessoas que são pessoas, não são meros números.
É necessário puxar pelas boas energias colectivas. Aproveitar as potencialidades do país. Ter um discurso mobilizador. Ter garra. Adoptar as medidas necessárias para chamar o investimento. Combater a corrupção e a burocracia. Tornar a nossa justiça eficaz. Criar um regime fiscal favorável. Com o investimento, vem o emprego, o crescimento económico, maior riqueza que possa ser distribuída de forma justa.
É necessário reformar o Estado, tornando-o mais ágil e apto a satisfazer as necessidades dos cidadãos e vedando a sua apropriação por sucessivos aparelhos partidários que o têm vindo a colonizar. Tentar fazer melhor com menos.
É difícil, muito difícil. Mas este tempo que vivemos não se coaduna com a mediocridade, nem as vistas curtas. É um tempo de exigência. E com a exigência deve vir a excelência no trabalho que está pela frente e do qual ninguém se deve alhear.
É este o esforço de que não podemos prescindir, para que os valores de Abril se não percam e saiam, pelo contrário, reforçados na nossa sociedade. Porque essa é a vontade popular.
Discurso do Sr. Presidente da Assembleia Municipal
Eng.º João Manuel Gouveia da Costa
Sr. Presidente da Câmara
Sras.e Srs. Vereadores
Sras e Srs Deputados Municipais
Minhas Sras e meus Srs.
Comemoramos hoje mais um aniversário do 25 de Abril de 74 – Revolução dos Cravos, levada a cabo por um grupo de Capitães imbuídos de uma enorme generosidade, que nunca é demais enaltecer.
Revolução que devolveu ao povo a liberdade e a esperança de um Portugal Democrático, Desenvolvido, Solidário e mais justo.
Esperança essa que se foi concretizando ao longo de décadas com mais ou menos dificuldades, com a participação popular, fomos obtendo grandes conquistas tais como:
Poder Local democrático, uma das maiores conquistas, assente numa grande proximidade dos eleitos com o povo e que tem contribuído de forma significativa para o desenvolvimento das populações do interior, diminuído as assimetrias relativamente ao litoral.
Esse desenvolvimento é notório nas condições que se verificam atualmente comparadas com as existentes há 40 anos, tais como:
Saneamento básico, abastecimento de água ao domicílio, infraestruturas na educação, na cultura, no desporto, no lazer, na rede viária… proporcionando assim melhor Qualidade de Vida às respetivas populações.
A revolução permitiu que fosse criado um estado social proporcionando a toda a população bens e serviços indispensáveis a uma sociedade desenvolvida nas diferentes áreas: Educação, Saúde, Segurança Social com vista a acabar com a exclusão social.
Esta comemoração dos 39 anos do 25 de Abril tem um particular significado, porque hoje a coberto da legitimidade democrática faz-se o contrário daquilo que se promete, pois aquilo a que temos vindo a assistir nestes quase dois anos, é prova evidente disso.
O Poder Local Democrático tem sofrido o maior ataque que há memória:
1º a Lei dos Compromissos que asfixia os eleitos locais, limitando a sua ação para responder às necessidades mais prementes e anseios das populações.
Extinção e/ou agregação de freguesias e aqui presto uma sentida homenagem aos autarcas destas freguesias pelo seu papel inexcedível de trabalho e dedicação em prol do bem estar de todos os seus habitantes.
Estendo essa homenagem a todos os Presidentes de Junta que pela Lei de Limitação de Mandatos não se podem candidatar de novo, bem como ao Sr. Presidente da Câmara que faz o seu 3º mandato – O Nosso Reconhecimento.
Em nome do défice do Estado, temos vindo a assistir à destruição do Estado Social com um ataque sem precedente, na saúde, na educação, na segurança social e nas prestações sociais, aos funcionários públicos e aos reformados, tornando cada vez mais difícil a vida do povo, designadamente daqueles que mais precisam.
Há um forte desinvestimento no país e na economia nomeadamente no interior agravando as assimetrias entre litoral e interior, no que nos diz mais diretamente respeito:
Paragem das obras do Túnel do Marão, via estruturante e de enorme importância, fim da carreira aérea Lisboa-Trás-os-Montes, introdução de portagens nas Scuts, ataque ao Museu do Douro e outros… sempre penalizador para o interior e suas gentes.
Tudo isto agravado com o ataque às empresas, ao comércio, aos agricultores com o agravamento de taxas e impostos dificultando cada vez mais a atividade económica levando ao encerramento de empresas e ao consequente aumento do desemprego que atinge hoje valores muito elevados.
Com esta austeridade do custe o que custar que está a levar à destruição da economia do país e com esta arrogância do governo mais troquista que a Troika e que não ouve a maioria dos comentadores de economia e até já as instituições internacionais reconhecem que só austeridade não é solução.
Chegamos ao absurdo de ouvir comentadores de economia na Irlanda, depois de reuniões com as instâncias internacionais, dizerem que Victor Gaspar é o Ministro da Troika.
Perante tal situação, todos e cada um de nós tem que dizer Não a este estado de coisas.
Pois como autarcas não podemos deixar de manifestar o nosso total desacordo com este massacre, sim massacre económico de que estão a ser vítimas o país e as famílias conduzindo-as ao seu empobrecimento.
Por tudo isto vivemos um período de enorme desilusão/descrédito nas Instituições e nos Políticos.
Permitam-me que refira ainda a situação verificada esta semana em que dois membros do Governo, enquanto administradores de empresas públicas investiram (jogaram) o dinheiro de todos nós em especulação financeira, causando enormes prejuízos e que nós temos que pagar, mas alguém ganhou, claro como sempre, as Instituições Financeiras.
E termino dizendo que, compete-nos a nós autarcas que estamos mais próximos dos eleitores, tentar reverter esta imagem negativa dos políticos, mostrando pela nossa atuação diária que estamos na política sem interesses pessoais e particulares, mas sim com espírito de missão e de verdadeiro Serviço Público, para que possamos ser merecedores da confiança das populações.
Viva o Município de Alijó
Viva o 25 de Abril
Viva Portugal.
Discurso do Sr. Presidente da Câmara
Dr. Artur Cascarejo
Exmo Sr. Presidente da Assembleia Municipal
Exmos Sr.s Vereadores
Exmos Sr.s Presidentes das Juntas de Freguesia
Ex.mos Sr.s Membros da Assembleia Municipal
Autoridades Civis, Militares e Religiosas
Minhas Senhoras e meus Senhores
Hoje comemoramos o 25 de Abril de 1974, quase quatro décadas depois da Revolução dos Cravos, com a certeza de que os ideais de Abril não se concretizaram na sua plenitude. E isto porque, como todos sabemos, o objetivo desta Revolução consistia em Descolonizar, Democratizar e Desenvolver Portugal, retirando o país da Ditadura e do isolamento Internacional, em que viveu, durante cinquenta longos anos.
Efetivamente, se podemos dizer que conseguimos concretizar os dois primeiros objetivos – embora num processo difícil e não isento de erros – já o mesmo não podemos dizer do terceiro: Desenvolver, de forma justa e sustentada, as diferentes regiões do nosso país. É sobretudo nesta dimensão que ainda falta cumprir Abril, não deixando ninguém para trás: nem pessoas nem regiões.
Ora, o que vemos atualmente na Europa e em Portugal, na resposta à mais grave crise social, económica e política, desde a II guerra Mundial, está exatamente nos antípodas do espírito da Revolução dos Cravos. Com efeito, aquilo a que assistimos, quer na Europa, quer em Portugal, é à concretização da lei do mais forte, numa espécie de Darinwnismo social, económico e político, em que os mais débeis e fracos são esmagados, sem dó nem piedade.
Ao nível da Europa, em vez da procura da convergência e da coesão, entre os países do Norte e do Sul, assistimos a uma divergência e dicotomia claras entre uns e outros, atingindo foros de extrema violência e até humilhação para as suas populações, com a chamada política da austeridade. A este nível, o que aconteceu em Chipre, constituiu um caso paradigmático da aplicação da lei do mais forte, que deve ter feito corar de vergonha, os pais fundadores do verdadeiro espírito europeu. Episódios desta natureza fazem surgir velhos fantasmas, associados aos nacionalismos exacerbados, que estiveram na origem das duas Guerras Mundiais do Século Vinte. Por isso, alguns afirmam que a Europa está doente, sem liderança, visão ou estratégia, para enfrentar a crise dos mercados financeiros. Que diferença neste aspeto relativamente aos EUA, que já registam crescimento económico e têm uma taxa de desemprego de 7,8%, porque tiveram a lucidez de conciliar rigor orçamental e crescimento económico.
Mas se na Europa as coisas não correm bem, em Portugal estão ainda piores. Na verdade, a estratégia da ultra-austeridade adotada pelo governo, numa lógica de ir para além do memorando assinado com a troika, está a destruir o nossa estrutura social e económica, atingindo com especial violência os trabalhadores e os aposentados. O próprio PR e o TC reconheceram esta falta de equidade no processo de ajustamento da nossa economia, realçando que os sacrifícios têm que incluir também os rendimentos do capital e não apenas do trabalho.
Acresce ainda que o caminho escolhido não resolveu nenhum dos nossos problemas, pois aumentou o défice, a dívida, o desemprego, levando o país para uma espiral recessiva, que urge travar. Aliás, numa altura em que tanto se fala na procura de consensos para ultrapassar a crise, é curioso verificar que existe atualmente um grande consenso que abarca todos os partidos com assento parlamentar, da direita à esquerda, os empresários e os trabalhadores e até a troika: a austeridade como única via para resolver os nossos problemas falhou.
Consequentemente, não podemos continuar cegos, surdos e mudos, perante esta evidência. Também aqui temos de dar mais Abril a Portugal, implementando uma verdadeira Agenda para o Crescimento e o Emprego, que ajude a levantar o país e evite a emigração em massa, da geração mais qualificada que conseguimos formar. Parafraseando o novo líder da UGT, entre o trabalhador e o credor, não podemos ter dúvidas: escolhemos o trabalhador, para cumprir Abril e dar esperança e confiança aos portugueses.
Não posso, contudo, terminar esta reflexão sobre o significado da Revolução dos Cravos na atualidade, sem fazer uma referência a uma das grandes conquistas do nosso Regime Democrático: o poder local.
Com efeito, desde o 25 de Abril de 1974 até 2010, os autarcas eram genericamente apresentados como exemplos a seguir na gestão dos dinheiros públicos. Dizia-se e era verdade, que tinham uma eficácia muito superior ao poder central na utilização dessas verbas, principalmente pela maior proximidade entre eleitos e eleitores. Ou seja, durante esse tempo, ser autarca de freguesia ou município, era currículo que dignificava quem o apresentava. De repente, como que num passe de mágica, o que antes era currículo começou a ser apresentado como cadastro. Parece que os problemas do país se resolvem limitando os mandatos dos autarcas e fundindo freguesias e municípios. Esta cortina de fumo, assente no mais baixo populismo e demagogia, caiu entretanto por terra, quando se constatou que os 308 municípios, foram as únicas entidades do sector público, que apresentaram mais receitas do que despesas no último ano: cerca de 700 milhões de euros. Isto é, foram os únicos que contribuíram para diminuir o défice público. Tomara o Estado Central poder dizer o mesmo. Não estávamos certamente na situação em que estamos.
Mas, em vez de se reconhecer este facto e procurar resolver os problemas com os autarcas e não contra eles, insiste-se no caminho de os tentar diminuir perante a opinião pública, para, de seguida, retirarem mais recursos financeiros às autarquias, como acontece com a nova Lei das Finanças Locais, que já motivou um encontro da ANMP, para o próximo dia 3 de Maio, em Santarém.
Como afirmei no início desta sessão solene, para cumprir plenamente o espírito de Abril, falta desenvolver de forma harmoniosa e equilibrada Portugal, o que não é compatível com uma visão centralista, que tem dado origem a duas grandes assimetrias: entre o litoral e o interior e entre Lisboa e o resto do país. Para garantir este equilíbrio não podemos dispensar os autarcas, esse exército anónimo que tem sido um travão ao despovoamento do interior, garantindo a coesão territorial possível, num país tradicionalmente inclinado para o mar.
Precisamos de um Portugal competitivo, atrativo e solidário, onde não existam portugueses nem regiões dispensáveis. Em síntese, um país com um modelo de desenvolvimento inteligente, sustentável e inclusivo.
Viva a Liberdade
Viva o 25 de Abril
Viva Portugal